Quem tem problemas de excesso de peso não raro deseja ver-se livre rapidamente da gordura indesejada, como quem corta o cabelo, ou estoura uma espinha. Cientes disso, muitos “profissionais” de conduta duvidosa, normalmente interessados apenas em lucrar sobre o desespero do gordo, inventam fórmulas mágicas que prometem, com ou sem o auxílio de medicamentos (normalmente “naturais”, na tentativa de livrarem-se das auditorias da ANVISA), eliminar muitos kg por semana.
Pior: ávidas por um corpo de modelo, dificilmente as pessoas pensam nos problemas de saúde que o emagrecimento rápido pode acarretar.E não são poucos!
Este risco existe porque o corpo precisa de um tempo para se adaptar às mudanças de peso. Quando isso não acontece, o emagrecimento pode vir acompanhado de complicações físicas e psicológicas. Para ficar em um patamar de segurança, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a perda de um quilo a um quilo e meio por semana, no máximo. Mais do que isso é considerada uma situação de risco.
Até chegarem a essa conclusão os médicos tiveram que aprender errando. Na década de 60 e início dos anos 70 eles prescreviam dietas de baixíssimas calorias (cerca de 400) por longo tempo. A meta era fazer com que a pessoa perdesse cerca de 23 quilos em 76 dias (2,300 kg por semana). Com o passar do tempo,os especialistas perceberam os problemas que essa redução acelerada causava: queda frequente da pressão, desmaios e até morte súbita. A partir daí as tais dietas ficaram restritas a 15 dias (como ocorre hoje em alguns spas), sendo contra indicadas para crianças, adolescentes, gestantes, pessoas com mais de 60 anos e durante o período de amamentação.
Não estou com isso dizendo que um nutricionista ou médico não possa, sob situações específicas e sob sua supervisão, receitar uma dieta hipocalórica, associada a treinamento físico ou outros tratamentos, a fim de acelerar o processo de emagrecimento, o que muitas vezes tem mais efeito psicológico, pois a autoestima do paciente se valoriza com os resultados evidentes. Mas certamente um profissional ético e consciente não vai receitar “a fórmula da moda” apenas por receitar, tampouco apoiar quem compre medicamentos pela Internet, telefone ou como for, sem acompanhamento médico.
Sem tempo para se adaptar às mudanças de peso, o corpo responde de maneira negativa, surgindo:
* Alterações no coração — além de leves modificações nos batimentos cardíacos, pode-se desenvolver taquiarritmia atípica, um problema no coração que não responde a remédios. A única solução é implantar um marcapasso temporário.
* Alterações Hepáticas — o aumento do metabolismo da gordura pode causar complicações no fígado.
* Alterações na Libido — a diminuição na produção de hormônios sexuais altera o interesse sexual.
* Anemia — dietas não equilibradas geram carência de vitamina B (contida nos cereais) e ferro (contido nas carnes vermelhas e verduras escuras). O resultado pode ser um comprometimento cerebral, que leva a dificuldade para andar.
* Baixa imunidade — o sistema imunológico dos obesos é muito menos eficiente do que dos magros. Mas com o emagrecimento rápido o problema pode piorar ainda mais, crescendo as chances de gripe, infecções, viroses, verminoses e reações alérgicas.
* Cálculos na vesícula — a quantidade de ácido úrico na circulação sanguínea aumenta,f avorecendo a formação de cálculos — as famosas pedras nos rins, que provocam cólicas fortes.
* Distúrbio Hidroeletrolítico — a pessoa urina muito, perdendo água e sais minerais. Conseqüentemente, fica sujeita a cãimbras, mal estar, fraqueza e perda da sensibilidade nas mãos.
* Embolia — as pessoas com excesso de peso normalmente apresentam tendência à embolia (formação de coágulos que impedem a passagem do sangue nas veias), por causa dos níveis elevados de triglicérides e de colesterol. Durante um emagrecimento rápido esses coágulos podem aumentar, elevando o risco da doença.
* Flacidez — a pele não acompanha a redução de peso rápida e fica flácida. Além disso, a falta de nutrientes deixa as fibras de colágeno e elastina desnutridas, impedindo a firmeza da pele.
* Intolerância ao frio — causada pela diminuição do tecido gorduroso e redução da produção de adrenalina e hormônios tireoideanos, que regulam a temperatura corporal.
* Metabolismo lento — Quanto mais restrito for o consumo de calorias, mais o organismo vai se proteger. Resultado: queima menos calorias.
* Osteoporose intensa — nas mulheres em fase de menopausa, que têm osteoporose, a doença se agrava, exigindo controle constante, reposição hormonal e a prática de exercícios.
* Prisão de ventre — existe maior chance de ter intestino preso nas dietas à base de líquido e pobre em fibras.
* Queda de cabelos e unhas fracas — o que desencadeia esses problemas é uma dieta pobre em vitaminas, zinco e proteínas.
Principais prejuízos psicológicos que a perda de peso rápida pode trazer
* Auto-imagem de gordo — o sujeito ainda se acha gordo, mesmo exibindo uma silhueta mais magra. Nesse conflito, o cérebro faz de tudo para ficar com o corpo de acordo com a imagem mental criada, favorecendo a recuperação de todo o peso perdido.
* Expectativas frustradas — uma pessoa pode pensar que todos os seus problemas vão acabar quando conseguir chegar no peso ideal. Mas, emagrecendo muito depressa, não dá tempo para as mudanças internas acontecerem. Resultado: a pessoa emagrece, mas se frustra porque as dificuldades continuam. Daí para voltar a comer exageradamente é um pulo. Existe também, de forma inconsciente, a vontade de voltar ao corpo gordinho que, apesar de não ser socialmente tão bem aceito, é um velho conhecido, que representa segurança.
* Compulsão alimentar — geralmente se emagrece muito em pouco tempo com dietas rígidas. A privação exagerada depois disso tudo pode levar você à compulsão alimentar e ganho muito mais rápido de peso.
O que são dietas de muito baixas calorias
Dietas de muito baixas calorias são fórmulas comercialmente preparadas de em torno de 800 calorias que substituem o consumo habitual de alimentos por várias semanas ou meses. Dieta hipocalórica não é a mesma coisa que os substitutos de refeições vendidos em balcões de drogarias, os quais têm a função de substituir uma ou duas refeições por dia. Dietas de muito baixas calorias, quando utilizadas sob supervisão médica apropriada, efetivamente produzem perda de peso significativa a curto prazo em paciente que são moderadamente ou extremamente obesos.
Estudos têm mostrado que substitutos de refeições com maior nível de calorias (800 - 1000 calorias) produzem perda de peso similar àquelas verificas com níveis de calorias bem menores, provavelmente devido à melhor obediência à dieta. Adicionalmente, dietas de muito baixas calorias são geralmente parte de um programa de tratamento para perda de peso que inclui outra técnicas como terapia comportamental, conselho nutricional, atividade física, e/o tratamento com remédios.
Quem deveria fazer uso de uma dieta de muito baixas calorias
Dietas de muito baixas calorias têm o objetivo de produzir perdas de peso rápidas no começo do programa de emagrecimento em pacientes com o índice de massa corporal (IMC) maior que 30. O índice de massa corpora correlaciona-se significativamente com a gordura corporal total. Ele é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado.
O uso de dietas de muito baixas calorias em pacientes com o IMC entre 27 e 30 deve ser reservado àqueles que têm complicações médicas como resultado do excesso de peso. Dietas de muito baixas calorias não são apropriadas para crianças e adolescentes, exceto em programas de tratamento especializados.
Há pouca informação sobre a utilização de dietas de muito baixas calorias em pessoas mais velhas. Uma vez que indivíduos acima de 50 anos de idade já sofrem uma diminuição normal da massa magra, a utilização de dieta de muito baixa caloria pode não ser justificável. Além disso, pessoas de mais de 50 anos podem não tolerar os efeitos colaterais das dietas de muito baixas calorias por causa de condições médicas pré-existentes ou necessidade de outros medicamentos. Os médicos devem avaliar caso a caso os riscos potenciais e benefícios da perda de peso rápida em indivíduos mais velhos, assim como em pessoas com problemas médicos significativos ou que estejam sob medicamentos.
Benefícios para a saúde da dieta de muito baixas calorias
Uma dieta de muito baixas calorias pode permitir a um paciente que é moderadamente ou extremamente obeso emagrecer em torno de 1,3 a 2,3 kg por semana, para uma perda de peso total média de 20 kg em 12 semanas. Tal perda de peso pode rapidamente melhorar condições médica relacionadas à obesidade, incluindo diabetes, pressão alta e colesterol alto.
Efeitos adversos das dietas de muito baixas calorias
Muitos pacientes em dieta de muito baixas calorias por 4 a 16 semana relataram efeitos colaterais pequenos como fadiga, constipação, náusea e diarréia, mas essas condições geralmente melhoram dentro de poucas semanas e raramente impedem os pacientes de completarem o programa. O efeito colateral mais sério é a formação de cálculo biliar. Cálculos biliares, os quais de qualquer forma geralmente desenvolvem-se pessoas obesas, especialmente mulheres, são ainda mais comuns durante a perda de peso rápido. Pesquisas indicam que a perda de peso rápida pode aumentar os níveis de colesterol na vesícula biliar e diminuir sua habilidade de contrair e expelir bile. A droga ursodiol pode prevenir a formação de cálculo biliar durante o emagrecimento rápido, mas não é geralmente usada para esse propósito.
Mantendo o peso perdido
Estudos mostram que os resultados a longo prazo das dietas de muito baixas calorias variam bastante, porém a recuperação do peso perdido é comum. A combinação de dieta de muito baixas calorias com terapia comportamental e atividade física pode aumentar o emagrecimento e diminuir a recuperação do peso perdido. A longo prazo, porém, as dietas de muito baixas calorias não são mais efetivas que as restrições mais modestas na dieta.
Para a maioria das pessoas obesas, a obesidade é uma condição de longo prazo que requer atenção por toda a vida mesmo depois que o tratamento formal de perda de peso terminar. Sendo assim, os profissionais da saúde devem encorajar os pacientes obesos a comprometerem-se com mudanças permanentes para uma alimentação mais saudável, atividade física regular, e um ponto de vista melhorado sobre as comidas.
O círculo vicioso que faz entrar num emagrece-engorda sem fim
1. Ao perder peso muito rápido (quer dizer que você está se privando de muitos alimentos), seu corpo reage como se estivesse numa guerra, passando fome.
2. Para reverter a ‘’situação de perigo’ ,as células de gordura estimulam seu cérebro a não ficar satisfeito.
3. Você volta à antiga alimentação e seu corpo absorve tudo para formar novamente a mesma quantidade de gordura de antes.
4. Recuperando o antigo peso, as células de gordura ficam satisfeitas e param de estimular seu cérebro.
5. Porém, o ganho de peso continua porque as células de gordura demoram para avisar o cérebro de que seu corpo já voltou ao peso anterior. E quando esta mensagem chega você já ganhou de 2 a 5 quilos além do que pesava antes da dieta rígida.
6. Inconformado por estar mais gordo do que antes, você se sente mal, sua auto-estima baixa e acontece a procura por outra dieta rápida… e começa do número 1 novamente.
A fórmula que dá resultado
(dieta equilibrada + exercício físico) = emagrecimento saudável
Dieta equilibrada: Ingerindo todos os nutrientes que o seu corpo precisa, você reduz o risco de ficar doente e comprometer a continuidade do tratamento para emagrecer e chegar ao corpo e peso desejados. Além disso, só comendo de tudo (com moderação) você combate a compulsão pelos alimentos e aumenta a chance de manter o novo peso (ou seja, não mais engordar).
Exercícios Físicos : A atividade física queima calorias e acelera o metabolismo, que se torna mais eficiente mesmo em repouso (ou seja ,você vai gastar mais calorias mesmo parado). Também colabora para o aumento da massa muscular, outra responsável pela queima calórica. Através desta fórmula seu emocional também se beneficia, pois você vai emagrecer aos poucos e com saúde. Sua mente vai ter tempo de ir se habituando ao seu novo corpo e peso, sem frustrações e ansiedades com este, garantindo assim uma auto-estima, auto-confiança e auto-imagem adequadas, evitando o efeito iô-iô ou efeito sanfona.
FONTE: Emagrecimento Rápido ou Dietas de Baixa Caloria
Inspiração!
Mary Kate Olsen
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Um comentário:
amei o artigo... agora eu to no trabalho eh meio dificil de ler com calma mas amei seu blog em casa ... vou ler tudo...
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